quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O "até logo" das nádegas.

Quando Betina acordou pela segunda vez naquela mesma manhã nublada e fria, levantou e viu a carteira vermelha de coraçãozinhos e o cartão do táxi intactos sobre a cabeceira da cama, fechou os olhos, e com um leve sorriso de alívio recordou daquilo que parecia ter sido um sonho.
Afastou o que apoiava a porta de maçaneta invisível e com um mísero passo à direita, ela admirava um conjunto de maquiagem borrada e semi-olheiras através do espelho do banheiro de visitas. Abriu a torneira de água fria com o intuito de lavar o rosto, fechou os olhos antes de se curvar contra o lavabo, e, foi inevitável sentir o abraço e o beijinho de semi-namorada que recebeu antes de vê-la fechar um guarda chuva preto que a evitava de um sereno compacto que a manhã cantava, e entrar pela porta de trás do taxi.
Ela não achou necessário dizer algo, sequer ouvir; sentir aquele abraço, aquele beijinho e ver aquele jogo sincronizado de suas nádegas sob um vestidinho preto de bolas coloridas lhe dando um "até logo", foi mais que suficiente, depois daquela tenra madrugada de coalas.

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