quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Escarlate, piercing, shopping, chopp, beijinho, riso.

Seis dias subsequentes, Sofia estava de volta,com as unhas pintadas num mesmo tom escarlate que a deixasse mais sexy possível, e usando um vestidinho-sem-alças que de longe aparentava ser de um tom acinzentado, que se resultava num misto de listas preto e brancas, que podiam ser vistos de perto.
Se encontraram num bairro movimentado por bares e shoppings e foram andando sem destino e conversando a respeito de um romântico piercing de compromisso - que seria no mamilo - que Betina havia proposto, mas que por fim, só ela mesma colocou.
Ao sair do body piercer, duas meninas iam de braços dados em direção ao shopping, como se quisessem aparentar ser amigas - e só amigas - o que de fato conseguiam. Entravam e saíam de lojas que julgavam legais, e quando perceberam que exploraram o que havia de bom naquele lugar, foram embora dali, ambas com sede de um chopp.
Escolheram uma mesa e sentaram no Deck, um lounge que Sofia costumava ir quando ainda morava naquela cidade, elas se sentiam bem naquele bar, e Betina sabia que apesar de seus dezesseis anos, não precisava de identidade para beber ali. Pediram um chopp, digo, dois.
Conversavam sobre tudo aquilo que evitaram (por motivos desconhecidos) falar uma com a outra durante aqueles cinco anos que se viam, e não se conheciam. Pediram mais dois canecos. Conversaram sobre o que ambas esperavam - ou não - daquele relacionamento, e cada uma se deu por conta do quanto tudo era perpendicularmente recíproco.

Algum celular tocou involuntariamente por alguns segundos uma música inconfundivelmente do Yeah Yeah Yeahs. Era o pai da Betina, esperando-a na esquina.
Ela pagou a conta que Sofia pretendia dividir, e foram rapidamente em direção ao carro branco, antes que o pai da Betina se enfurecesse (o que podia acontecer numa fração de segundos).
Pararam o carro próximo a casa da "amiga", e com um abraço e um beijinho elas se despediram.

-Ligue, mande mensagem, faça alguma coisa. - disse sofia.
Betina riu e entrou na porta da frente do carro branco.

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